RADIO BARREIRITTO CAIPIRA

Radiobarreirittocaipira

domingo, 17 de setembro de 2017

RENASCER
( valtair bertoli ) 17/09/2017

Lá se foi a juventude /  pouco tempo resta agora
 igual os bois de carro  /  também estou indo embora
Carreguei a minha canga  / Por esse mundão afora
Pelo tempo fui vencido / confesso entristecido
A lembrança  me devora

A saudade em meu peito / Todo dia vem e ancora
O  meu tempo de infância  / Sem piedade  ela  explora
Fazendo brotar nos olhos / Lagrimas    quentes que  aflora
Revivendo os momentos / dos mais lindos sentimentos
Dos  meus tempos  de outrora 

Os riscos  do meu  cansaço   / a minha face decora
As dores das minhas juntas  / a noite sempre piora
Só quando olho os netinhos / é que sinto uma melhora
Sentado no meu cantinho / Deles recebo carinho   
Nenhum deles  me ignora

Acordo  todos os  dias  /    vendo o raiar da  aurora
Ouvindo do meu ranchinho  /  a passarada canora
Me vejo igual o orvalho / no galho quando  evapora
Que brilha no   amanhecer  /   sabendo que vai morrer 
Que  Deus sempre   pastora

sábado, 29 de julho de 2017

CANECA DE ESMALTE
( valtair bertoli ) 29/07/2017

CANECA DE ESMALTE
( valtair bertoli / João Miranda ) 29/07/2017

Essa caneca esmaltada / que   guardo  como herança
É Uma relíquia achada   / Do meu tempo de criança
Foi tudo que me sobrou / Do sitio nova aliança
Aonde  o  papai   morou /  e   tempo lá  trabalhou
Sempre  cheio de esperança

Nossa casa era  humilde / Um ranchinho beira chão
Minha mãe dona Clotilde / Por ela tinha paixão
Do seu  lado no terreiro  / Tinha um   forno feito a mão
 Pra longe exalava o  cheiro / Quando mamae no  braseiro
  feliz   assava  o   pão

Meu pai  atarefado  / apressado eu sempre via
So ficava sossegado / quando a plantação colhia
  Pro roçado   ia cedinho    /  antes de raiar o dia
 só voltava  pro ranchinho  /  com o sol bem baixinho
que no poente   caia

eu mais meus  irmãos  /  a horta ficava aguando
dando  milho as criação /   passava o dia brincando
ia  nadar no Corguinho /  vivia sempre cantando
ia caçar passarinho / mas o tempo como  espinho
 de lá foi nos tirando

quando o sitio foi vendido    /  mudamos para a  cidade
perdi meus pais querido  / avançou a  minha idade
   passei  anos tão  distante /  daquela propriedade
La voltei  recentemente    / pra ver tudo   novamente
sofri com a realidade

quando cheguei no local  / me doeu o coração
nada mais estava igual / sofri a decepção
vi a casa destruída   /  oque me chamou atenção
foi   a caneca  escondida   /  pelas cinzas envolvida
e coberta de  carvão

hoje quando  olho pra ela   /  a lembrança me invade
vejo mamãe na janela /  com  semblante de humildade
me chamando pra entrar / pra tomar leite a vontade
sinto ao  passado voltar / e assim pego a chorar
no presente da  saudade

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Montado na ilusão
( Valtair Bertoli ) 26/07/2017

Cavalgando na saudade , no lombo da ilusão
Apiei do meu  cavalo , na sombra da solidão
Fui abrindo a porteira , da minha recordação
E logo me vi chegando e meu povo abraçando
Dentro da imaginação

Vi Chiquinho boiadeiro , arriando   seu cavalo
E Narciso pé de vento , na rinha treinando o galo
Vi o João pouca telha , com o seu  cabelo   ralo
Pastorando os caprinos ouvindo o bater do sino
Distante com seu badalo

Vi meu velho sorridente , galopando no bragado
Repicando o berrante , no pasto juntando o gado
Mamãe estava tão linda , de vestido estampado
Cuidando com muito zelo das tranças no seu cabelo
Com nosso radio ligado

Contente revi minha sala , nela a minha carteira
Atenta a professora , na escola de madeira
pude ver o Monjolinho , e a sombrosa figueira
aonde os peões pousavam do fogo que cozinhavam
vi a cinza  da fogueira

logo deu um temporal , vi poeira levantando
as bacias do quintal , o vento saiu levando
caiu um cisco em meu olho , assim  fui acordando
descobri que  era   um sonho fiquei muito tristonho
sentei na cama chorando

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Marcas do tempo ( valtair bertoli ) 24-07-2017 Triste olhando minha traia pendurada Empoeirada dentro de um velho galpão Bateu saudade das minhas longas jornadas Junto a boiada desfilando no estradão Desde criança a peonada admirava E respeitava as regras da profissão Em pouco tempo aprendi ganhar dinheiro dos culatreiros quando vi era o patrão Ho saudade sem perceber o tempo me corroeu Levou embora a minha felicidade Castigado pela idade , meu corpo envelheceu Me doí ver minha traia assim parada Que na estrada nunca me deixou na mão Durante a noite revisava na pousada Hoje encostada me aperta o coração Meu velho laço enrolado e ressecado Abandonado sem bainha meu facão A minha cela esta toda desbotada Dependurada nun gancho junto ao gibão Ho saudade sem perceber o tempo me corroeu Levou embora a minha felicidade Castigado pela idade , meu corpo envelheceu Meu par de espora engripou suas rosetas Numa gaveta vi mofado o cinturão Vi o sinete amassado sem badalo Do meu cavalo sem couro vi o argolão Na juventude eu me vi por um instante Com o berrante repicando no sertão Esse mantenho ele sempre bem guardado Pra ser levado um dia no meu caixão Ho saudade sem perceber o tempo me corroeu Levou embora a minha felicidade Castigado pela idade , meu corpo envelheceu

sábado, 22 de julho de 2017

O carro e meu pai
( valtair bertoli ) 22/07/2017

Olhando triste  para um   cabeçario
Apodrecendo sua ponta junto ao chão
E quatro cangas  já todas desgastadas
Abandonadas sobre o  velho  pranchão
Não avistei a chaveta e o pigarro
 Não vi o  chumaço o  caniço e o  cadião
 Assim achei  esse  carro abandonado
No chão jogado  sem rodeiro e sem cocão

Lembro meu   pai  chegando com seus bois
E   atrelando cheio de satisfação
a  cada junta que no   carro ele  montava
Os bois chamava apontando sua  mão
Já foi o tempo acabou todos carreiros
Já não tem   marcas deixadas  no grotão
Só resta agora  as  marcas do   meu passado
Riscos deixados  dentro da imaginação

Fui candieiro  no meu tempo de  criança
Ver essa cena me apertou o coração
lembrei   meu pai quando uma peça trocava
ela  alisava  com carinho  no  formão
Ele dizia  tudo tem que estar perfeito
o nosso carro  é o nosso ganha pão
Hoje me vi novamente ao seu lado
Fui cutucado com a vara da  solidão


ref:
Eiaaaaaaaaaaaaaaaa boi
quanta saudade do meu pai pelo sertão
feliz seguia no seu carro carreando
ia  atento comandando a marcha   no estradão

quinta-feira, 20 de julho de 2017

DENUNCIA
( VALTAIR BERTOLI )

Pra você que esta ai ouvindo o radio agora
Escutando minha voz acompanhada por viola
Venho aqui denunciar um amor que foi embora
Fez igual um passarinho quando escapa da gaiola

Quero a ela  perguntar porque pode estar ouvindo
Se  ela me tem    amor   porque então vive fugindo
Se ela não tem  ninguém  porque então me ignora
E por que vive falando  que comigo ela    namora

Eu sei que você sabe que por ti estou sofrendo
Porque não telefona isso que  eu  não compreendo
Se você quer judiar só  me impor o seu castigo
Meu bem  aqui eu te imploro não faça isso comigo

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Flor do passado
( valtair bertoli ) 19/07/2017

Jamais pensei em toda minha vida
Que um dia eu iria  vela assim
Sozinha vagando sem   guarida
uma flor murcha caída no jardim

A flor tão bela que foi no passado
Que se vestia com roupa de cetim
Por quem um dia eu fui desprezado
Pedindo  agora seu  perdão para mim

Confesso a ti  que   não estou contente
De te encontrar em tão mal  situação
Por seu amor eu fui  tão carente
Você que um dia   foi   minha grande paixão

Tudo  passou e hoje eu estou mudado
A muito tempo   acabou minha paixão
 digo a  você  que   não estou magoado
e eu  já tenho outro amor  no coração