RADIO BARREIRITTO CAIPIRA

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Respeito de matuto
( valtair bertoli ) 01/05/2017

Meu amigo pegue arraste uma cadeira
Não repare na poeira nem na casa por favor
Sei que o doutor vive sempre ocupado
e não esta acostumado com as coisas do interior
vou  ir  buscar água fresca lá da mina
leve  pura e cristalina com essência e   sabor
enquanto isso peço que fique a vontade
 veja a felicidade com que bailam os beija flor

A muito tempo do sitio tenho cuidado
Do meu pai foi herdado zelo dele com amor
Eu Me orgulho das águas do ribeirão
Claras sem poluição me refresca no calor
A mata virgem na encosta ao pé da serra
Permanece como era sopra vento com frescor
O ano inteiro o brejo fica alagado
jacarés lá tem criado vivem sem ter predador

Aqui eu vivo com a família e a natureza
contemplando as belezas de Deus nosso criador
Desde a tarde quando o sol vai se embora
A noite o romper da aurora quando sobe o vapor
Sobre essa  terra brota tudo o que é plantado
É um solo abençoado regada com meu suor
Mantenho ela com carinho e com respeito
Com alivio em meu  peito  vendo no céu o fulgor

 sei que o progresso no mundo é importante
Une dois pontos distantes mas esquece dos valor
Não acho certo ver tudo ser destruído
Eu Te peço comovido que entenda minha dor
meu velho pai lá no passado já sofria
Quando via rodovia sendo aberta por trator
jamais pensei em ver esse solo rasgado
meu sonho esta destroçado me desculpe seu doutor
Amigo radialista
( valtair bertoli ) 01/05/2017

Radialista lhe escrevo  essa carta
pra falar de uma ingrata
que feriu  meu coração
a muito tempo ela não fala comigo
 me impôs o seu castigo
me deixou na solidão
vivo distante da cidade que ela mora
faz tempo  que foi embora
sem me dar explicação
 queria tanto poder conversar   com  ela
 e  pedir uma trela
então me toque essa canção

sei  que na hora  que  ouvir a melodia
 vai lembrar do que dizia
de qual grande era a paixão
recordara nossos momentos felizes
  feito um  filme  em  reprise
que viveu com emoção
sei que alguém com ciúmes fez intriga
 se passando por amiga
fez isso  de má intenção
que  não gostava de ver nossa  felicidade
 e agindo  por   maldade
destruiu nossa união

domingo, 9 de abril de 2017

Casa da felicidade
( valtair bertoli ) 09/04/2017

Sempre recordo minha casa do passado
escondida  em meio ao prado desprovida de riqueza
Casa  humilde com  chão  de terra batida
De madeira construída mas tinha sua beleza
Sua  cozinha tinha longas  prateleiras
de  paia  era as cadeira e   uma  prancha  era a   mesa
Fogão a lenha com lata de banha ao lado
No   varão de pendurado    gomos de   linguiça  presa
 
Durante a noite pelas frestas da janela
Trancadas por Tramela   se via os fachos  do  luar
Eu no meu quarto no colchão de capim
Numa alegria sem fim não via o tempo passar
Sentindo o aroma do frescor da madrugada
Invadindo a morada pelas frutas no pomar
Era acordado no romper da alvorada
Ouvindo a passarada com   raios do sol a entrar

Quando chovia  das telhas vinha gotinhas
Dando  brisa na casinha que ficava umedecida
O cheiro da terra que a  chuva encharcava
A esperança redobrava de fazer   florir a vida
e na varanda  o jardim na sua entrada
  destacava a fachada com flores de cor surtidas
e o  arco ires    enfeitava o horizonte
fazendo unir os  montes  com suas   listras coloridas

podem falar que sou muito  saudosista
más duvido quem   resista quem viveu a vida assim
de não falar  desses  anos tão dourados
que na mente esta guardado  feito cheiro de alecrim
e quando lembra dos momentos já vividos
se sente acolhido na maciez de um cetim
não vou deixar de falar do meu passado
pois já  fui abençoado pelo Mestre Elohim

sábado, 1 de abril de 2017

Estrada da saudade
( valtair bertoli )

nessa  estrada  / antes de ser asfaltada
passou muita   boiada   /  levantando   poeirão
nela   também / carreava os   carreiros
levando pro  celeiro  /  toda colheita  do grão
só um vilarejo   / perto dela   existia
não havia energia   /  nem mesmo   poluição
Sob o  asfalto  / sepultaram seu  passado
que  ainda trago  guardado  / na minha   imaginação

ainda recordo  /  a  capelinha  rosada
perto da  curva fechada /  na ponte do   ribeirão
 os  boiadeiros  /  lá faziam  sua  parada
acalmando  a boiada /  e faziam uma  oração
Logo   abaixo  / na figueira reuniam
nas suas redes  dormiam /  debaixo de um   galpão
Hoje um pedágio /  no lugar   foi construído
e tudo foi destruído  /  não restou nada no  chão

tinha floresta acompanhando  seu   caminho
com  lindos  passarinhos   /  que enfeitava o sertão
os  animais  / surgiam no seu    trajeto
no descampado  aberto   /  via  onça de montão
todos carreiros  / dos perigos  já sabiam
armados la seguiam  /  redobrando  a atenção
Hoje animais /  só nas  placas da estrada
foram todas dizimadas  /  se encontram em   extinção

nela também    eu  vivia  cavalgando
feliz  sempre  cantando  /  para  ver minha paixão
ia ansioso     / no meu  cavalo montado
e na casa ao  ter chegado   / só pegava em sua   mão
infelizmente hoje tudo  mudou
o progresso aqui  chegou   / fez dela um tapetão
não sei dizer /  se esta certo ou errado
  mas eu sofro   emocionado  / com minha  recordação

quarta-feira, 29 de março de 2017

Coração de peão
( valtair bertoli )  caterete  29/03/2017

A tempos vejo    boiadas    Levadas  em caminhão
Relembro   minhas jornadas   no meu tempo de   peão
Eu nunca imaginava     perder minha profissão
Do meu tempo de estradeiro  Cortando o pais  inteiro
  que fazia com  paixão  

comparando  o  passado  até os dias   presente
a  lida  foi mais bonita   no tempo de antigamente
dificilmente uma reis  não chegava   no  cliente
abrindo novas picadas  enfrentando  as  pintadas
 hoje esta  bem diferente

a minha  idade  chegou acabou com   meus planos
assim também vi sumindo  todo gado cuiabano
hoje só vejo  nelore   aumentando ano a ano
por culpa do    progresso mas a  vocês eu  confesso
pra mim tem sido tirano

  falei aqui um pedaço da   lida no meu  sertão
que via atras da boiada envolta no  poeirão
o som do velho berrante ficou na recordação
sofro ao falar do passado já sinto acelerado
no peito meu coração

terça-feira, 28 de março de 2017

Minha casinha
( valtair bertoli ) 28/03/2017 cururu


Comprei uma casinha escondida pela mata
Quinze alqueires de terra
encostada ao pé serra pertinho de uma cascata
Nas tardes de sol quente canta alto as cigarras
Passarinhos com seu canto
sobrevoam o recanto fazendo grande algazarra


Nela eu moro sozinho curtindo a natureza
Nas noites os pirilampos
piscando por todo campo Mais Aumenta a beleza
o céu brilha estrelado enfeitando o reduto
A lua vem desnudada
clareando a madrugada Aqui Deus é absoluto


Gosto de acordar cedinho no romper da alvorada
ver o sol surgir nos montes
clareando o horizonte na cor forte avermelhada
Os seus raios refletido brilha na grama orvalhada
o dia vira uma festa
quando esvai na floresta A nevoa esbranquiçada


   bicharada fica    solta passeia com  liberdade
borboletas e beija flor
 desfrutam o nobre sabor  nas flores ficam a vontade
sou nativo    do sertão  gosto da  simplicidade
aqui deito e levanto

 a cada dia mais me encanto  cheio de    felicidade  

domingo, 26 de março de 2017

Boiadeiro solitário
( valtair bertoli ) 26/03/2017

Um boiadeiro sobre seu cavalo
Vai cavalgando lento no estradão
E relembrando  todo seu passado
Que esta guardado no seu coração
Olhando atento  pra todos lados
Enche o peito de recordação
Sopra o berrante todo  emocionado
Tocando  triste sua solidão

Toca o berrante ho boiadeiro
Segura firme com as suas mãos
Sopra  o berrante o boiadeiro
Rumo a pousada da imaginação

Sua tocada  indo pela estrada
Não faz  tropé   e nem   poeirão
Somente tem a vista embaçada
Pela idade roubando   a visão
Sem companheiro e sem sinueiro
Segue sozinho no seu batidão
Expulsando  a dura saudade
Dos  velhos  tempos que foi  Peão

Toca o berrante ho boiadeiro
Segura firme com as suas mãos
Sopra  o berrante o boiadeiro
Rumo a pousada da imaginação