RADIO BARREIRITTO CAIPIRA

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sábado, 22 de outubro de 2016

CARGA DE CAMINHONEIRO
( VALTAIR BERTOLI ) 18/06/2016

Dois faróis despertos / brilhando na madrugada
Clareando distante / batendo a lona amarrada
com o Vento frio soprando / assoviando na estrada
Pneus quentes rodando / chorando a carga pesada
Neblina chuva sereno / sol quente frio geada
Nada disso atrapalha / o rei das longas jornadas
Na lida segue atendo / sem esquecer um momento
Da sua família amada

Casas  a beira da estrada / desertas abandonadas
Sertão de sede morrendo / na voz do sol que brada
no filme a sua janela / a cena que não agrada
Crianças passando fome / sofrendo desamparadas
Alimento vai levando / se ve de  mãos atadas
Motor segue roncando / não poder fazer nada
Carregando o progresso / sofre com o retrocesso
Da miséria avistada

Caminhoneiro profissão / solidão desde alvorada
nas Noites longas e carentes / na boleia enfeitada
Sorri com coisas belas / plantação bem cuidada
Lamenta com o descaso / nos postos em suas paradas
Transportando leva tudo / nessa vida arriscada
Perseguido por bandidos / tem sua vida vigiada
Um Herói já esquecido / e muitos tem desistido
De enfrentar essa empreitada

carrega  dentro do peito / a sua carga de saudade
Sofre chora padece / só ele sabe a verdade
Disfarça seu sofrimento / lagrimas secam ao vento
Da dor que o peito invade..

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Capela de carreiro
( valtair bertoli / Joao Miranda ) 20/10/2016


Encontrei abandonado e pelo mato tomado
Bem no meio do sertão
Um galpão acorrentado com um velho cadeado
Que me chamou a atenção
todinho enferrujado com o seu elo quebrado
Pela forte corrosão
a porta abri com jeito senti uma dor no peito
Reluzindo a visão


eu vi um carro de boi que um dia ali  foi
por alguém  desmontado
com partes soltas no chão encima de um pranchão
Tudo ali bem conservado
canzis  canga  e fueiro  e também o tamueiro
com o cabeçario marcado
sua brochas  ressecadas numa argola amarrada
 na cheda estava enfiado


no seu eixo  a cantadeira os coções com a poeira
e seu chumaço riscado
viajei na  emoção recordando a canção
dos carros do meu passado
sobre o recave  o varão e na ponta o ferrão
por  fuligem acinzentado
li escrito nos  rodeiros descanse mestre carreiro
por canivete talhado


ao seu lado vi que tinha uma pequena cruzinha
e um retrato  amarelado
vi oito crânios de bois que de certo também foi
dos pares já enlutado
nesse instante ajoelhei e uma oração rezei
chorando emocionado
logo deixei o  galpão , parti pedindo perdão
por telo incomodado. .

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Vestindo a fantasia
( valtair bertoli ) 13/10/2016 querumana


Ainda ontem eu era uma criança e tinha a esperança
de viver bem melhor
Infelizmente estava enganado comparando com o passado
hoje estou bem pior
Envaidecido deixei do meu sertão por conta da ilusão
e vim morar na cidade
Deixei pra traz meu mundo de alegria e vesti a fantasia
da dona infelicidade


Sai em busca de um mundo colorido e hoje iludido
a saudade é permanente
De ver os vales os rios as montanhas a dor é tamanha
e não sai da minha mente
Beber da água brotando pela terra descendo pela serra
seguindo sua corrente
os passarinhos tecendo o seu ninho ajeitando com carinho
com bico em minha frente


Recordo triste o lindo amanhecer o odor do alvorecer
andando na relva orvalhada
De ver o sol surgindo atrás dos montes clareando o horizonte
o canto da passarada
A estradinha a casa pequenina o rostinho da menina
que um dia foi minha amada
No fim do inverno as floradas dos ipês aqui nada se vê
só tem cor acinzentada


Assim eu vi o meu tempo passando e vi tudo se acabando
escorrendo pelas mãos
virei monjolo que a muito foi quebrado com seu pilão jogado
em meio a vegetação
igual o canto do velho carro de boi que um dia também foi
sumindo do estradão
sendo levado na estrada boiadeira uma nuvem de poeira
sumindo na imensidão .
Recado no céu
( valtair bertoli ) 13/10/2016

Passarinho hoje voa reflorestando o sertão
Enquanto o ser humano age na degradação
Borboletas pirilampos abelhas têm trabalhado
Carregando a semente o pólen tem espalhado
Pelas matas e montanhas capoeiras e serrados
Num trabalho incessante nova vida tem plantado

O homem ambicioso age na destruição
Destruindo o precioso verde da nossa nação
Não respeita o ambiente nem a lei tem lhe barrado
É um jogo de três cantos com o baralho marcado
Todos visam o seu lucro se trajam de homem honrado
Enganando muita gente nosso ouro tem roubado

Vejo nos noticiários no radio e televisão
O discurso dessa gente até parece ser cristão
Investem no estrangeiro os laranjas são usados
Abusam do inocente pro dinheiro ser lavado
Quando chega a justiça nada pode ser provado
Ainda fazem aquele tipo parece pobre coitado

Posso ser um caipira que não teve educação
Nunca frequentei escola aprendo com as criação
Meu mestre é verdadeiro e esta sempre a meu lado
Vejo-o  enfurecido seu recado tem mandado
Tempestade furacão terremoto tem matado
São na terra os animais  que o pior tem evitado
.

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Viola viva
( valtair bertoli ) 11/10/2016  pagode

 No braço da minha viola  / não nasce pelo
Não tem  articulação  /  e nem  cotovelo
Tem a cintura moldada   / igual de  modelo
por ela  a  mão assanhada  /  passeia  com zelo

na  boca não tem língua   /mas canta    alto
Alegra homem  do campo  / e   também  do asfalto
sua casa  não tem  muro  /  e não sofre   assalto
fortaleza   de madeira   /   de osso    o  ressalto

os trastes são respeitados /  não são  a toa
na roda de  moda caipira  / só vem  gente boa
 sua pestana não dorme  /   ela  não  destoa
as cordas não joga  laço  /  mas   prende as pessoas

seu  cavalete aguenta / ao peso  da emoção
comporta toda   poesia  /  e  cria   canção
o seu mosaico destaca /  a mistura do sertão

no contexto da historia   /  mantendo  nossa  tradição.
Linda menina
( valtair bertoli ) 11/10/2016

Você linda menina  / iludiu meu coração
Destruiu  o pé de esperança  / que brotava na paixão
Agora triste e sozinho  / sofro com a solidão
Clamando  por seus   carinhos  /  a noite na escuridão

existe coisas na vida / que não da pra esquecer
A ilusão que provocou  / me dando   amor e prazer
Se era comprometida  /  porque  não quis  me  dizer
Só  disse na  despedida / pra ferir o  meu viver

Queria tela de novo / e sanar  meu sofrimento
 E curar com  seus beijinhos / essa dor esse  tormento
Minha vida esta sofrida / sem você tudo é um  lamento

Venha , volte minha querida  / dar vida nos meus  momentos

domingo, 9 de outubro de 2016

A casa
( valtair bertoli ) 09/10/2016

Tem casa bem construída / muito bem projetada
Tem casa que esta  caindo / de dupla desafinada
Tem casa nova subindo / na viola afinada
com  alicerce construído / na roça em meio a boiada

a casa do passarinho / é ninho feito em galhada
a casa do marimbondo / quem mexer  leva  picada
a casa do bom pagode /   o meu peito é  sua   estada
com a viola tinindo / vibrando  nele encostada  

a casa do prisioneiro / é cela fria e trancada
a casa do meu amor / por  flores é rodeada
a casa dos meus carinhos / de beijinho esta lotada
que ganho   escondidinho / a noite da minha amada

a casa do nosso  mestre /  é nosso fim de jornada
a nossa  casa  da terra / pra herdeiros será deixada
a casa no cemitério / será a  derradeira morada
de quem é  rico ou pobre / nela   não vai levar nada

 .