RADIO BARREIRITTO CAIPIRA

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terça-feira, 14 de julho de 2015

SONHO ARRIBADO
( valtair bertoli ) 13/07/2015

Quando deito pra descansar logo eu pego a sonhar
viajando no passado
naquele tempo distante me vejo  dentro de um instante
buscando um boi arribado
nas lidas que eu fazia moleza não existia
e foi com muito sacrificio
que conquistei tudo na vida labutando com a lida
cumprindo  com o meu oficio
recordo dessa passagem foi numa grande pastagem
que tinha varios carrascais
fui buscar um boi arribado que dois peões tinha matado
lá no estado de Minas Gerais

cela tambor preparada duas barrigueiras reforçada
eu arriei meu alazão
levei uma chibata do lado dois laços de couro trançado
e segui rumo ao varjão
cheguei logo cedinho eu ja conhecia o caminho
fui cumprir com a minha sina
e logo avistei a fera o boi mais bravo daquela terra
bebendo agua na mina

o boi ficou revoltado veio correndo pro meu lado
tentando me atacar
meu cavalo nesse instante galopeou e num relance
não deixou ele me acertar
avistei ao longe uma paineira e fiz entre nós uma barreira
o boi continuava  atacando
ali apliquei minha ciência agindo com muita paciência
a tardezinha ele foi cansando
cheguei a espora no  cavalo preparei a laçada de pealo
armando o laço pelo chão
dei a volta na paineira a minha laçada foi certeira
só escutei o  barulhão
apiei do meu cavalo me sentido  emocionado
o outo laço peguei
fiz a laçada dei nó  e amarrei sem ter dó
até que o boi  dominei

levei ele pra mangueira e  tranquei bem  a porteira
lavei a honra de dois peão
que trabalharam nessa lida e acabaram perdendo a vida
cumprindo a sua missão

sábado, 11 de julho de 2015

DISTANTE DA MINHA TERRA
( VALTAIR BERTOLI ) 11/07/2015

aqui distante vivo triste na cidade
remoendo de saudades de tudo do meu sertão
aqui não ouço o som doce do riacho
e não vejo suas águas ir de encontro ao ribeirão
não sinto mais aquela brisa suave
que dava felicidade na hora de levantar
é uma tristeza sempre que vou na janela
o barulho me fragela de tanto carro passar


sinto saudades de ver os pés de goiaba
que nasciam e cresciam na baixada do capão
os pés de mangas com tantas frutas que davam
e baixavam os seus galhos que caiam pelo chão
os passarinhos que  cantavam nas galhadas
e saiam em revoadas enfeitando todo o céu
até parece que eu vivo em outro mundo
é um padecer profundo gosto amargo como fel


as minhas noites não tem mais o romantismo
nem estrelas coloridas que via no céu brilhar
a lua vem com seu claro reduzido
me deixando iludido não consegue me alegrar
já não escuto e não vejo os curiangos
que alegrava as minhas noites quando ia me deitar
sinto  minha vida nessa cidade sumindo
os meus sonhos vão ruindo da vontade de chorar

quinta-feira, 9 de julho de 2015

MINHA SURPRESA
( VALTAIR BERTOLI )

Cheguei de mansinho na antiga morada
E fiquei olhando da beira da estrada
A nossa casinha eu vi num instante
O papai enchendo a moringa com água
Logo se ajeitou e foi saindo pra lida
Levando um bornal e a enxada
Saiu olhando e eu não sei porque
resolvi me esconder em uma galhada

Eu vi a fumaça que no ar serpenteava
Do nosso fogão que a lenha queimava
Vi minha velha e querida mãezinha
Que de relance a janela passava
Quando cheguei pertinho da porteira
O meu velho cachorro já me anunciava
e veio correndo alegre e latindo
me denunciando que por lá eu estava

Naquele instante eu vi minha mãe
Sair da varanda toda emocionada
Enxugando as mãos no velho avental
Por certo estava arrumando o quintal
E veio correndo para me abraçar
Chegou chorando sua voz embargava
Como se sentindo Deus ali chegar
Meu filho a saudade ia me matar !

Saímos andando no trilho entre a grama
E fomos chegar onde o pai capinava
De repente senti um toque em meu ombro
de uma mão  pesada e meu pai me chamava
Olhei para traz e vi que era o velho !
de braços apertos chorando falava
Meu filho eu não quis estragar sua surpresa
te vi na gaiada quando se amoitava
NUNCA MAIS  08/07/2015
( VALTAIR BERTOLI )

amigo eu estou de volta
na minha terra querida
de quem eu andei distante
bom tempo de minha vida
tentei ser feliz por ai
confesso não fui capaz
deixar de novo minha terra
eu não deixo nunca mais

sentia saudades de tudo
que um dia deixei pra traz
lembrava de um certo alguém
que tirava a minha paz
agora que estou com ela
me sinto feliz por demais
e deixar a minha querida
eu não deixo nunca mais

sonhava com nossa casinha
e tudo  no envolto  dela
queria voltar a rever
mamãe la na  sua janela
agora que estou de volta
voltou também minha paz
deixar mamãezinha querida
eu não deixo nunca mais

letra disponivel
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domingo, 5 de julho de 2015

RETRATO DA VIDA ( herança do tempo )
(valtair bertoli ) 05/07/2015

hoje parei e me olhei por dentro
e comigo  peguei  perguntar
da minha vida por todo esse tempo
que  não me vi por ela passar
as minhas mãos já tremem agora
não são mais ágeis como outrora
os meu cabelos estão todos brancos
minha vaidade também foi embora

minha visão já faz muito tempo
que não consegue  tudo   enxergar
também meus passos  ficaram bem lento
já  não querem nem mais caminhar
sinto minha vida  igual a um passarinho
que do alçapão conseguiu escapar
saiu voando perdido no mundo
e não percebeu o tempo passar

olhando a vida dos tempos de outrora
aqui comigo me pego a cobrar
que se eu pudesse voltar no passado
a minha historia  eu iria mudar
poderia ter sido bem mais dedicado
e mais tempo com a  familia  passar
a verdade  que agora  é bem  tarde
meu filho só falei isso para poder te alertar

sexta-feira, 3 de julho de 2015

RONCO DA SAUDADE
( valtair bertoli) 03/07/2015


viajo com a saudade
morando em meu coração
rodando pelas estradas
guiando meu caminhão
olhando o retrovisor
me vejo la no passado
dos tempos de mocidade
de quando lidei com gado

o ronco do escapamento
que vai pra muito distante
me faz lembrar da invernada
do som longo de um berrante
seguindo em um comboio
junto a meus companheiros
me vejo ir regressando
nos tempos de boiadeiros

na frente vai o ponteiro
conhecedor das estradas
no meio segue os meieiros
atentos em nossas jornadas
no fim sigo acompanhando
meus companheiros na estrada
na lida vou relembrando
da minha familia amada

terça-feira, 30 de junho de 2015

VOLTAS DA VIDA
( valtair bertoli ) 30/06/2015

velho marujo sabe que é difícil
remar contra a maré
caranguejo é quem vai pra frente
andando de marcha ré
caipira experiente não peneira
semente de contra ao vento
primeiro prepara a terra
só pra depois tirar dela
o seu lucro e  seu sustento

apanhei e aprendi com a vida
nela estou calejado
andei por muitos caminhos
e nunca andei errado
quando cai a tempestade
não corro  pra me abrigar
ando em terra batida
que tem  lama na subida
sem medo  de escorregar

quem lê revista em quadrinho
vai ficar descontraído
quem lê noticias em jornais
acaba  aborrecido
a vida da muitas voltas
nem sei quantas eu vou dar
quem me leva são  minhas pernas
minha vida não é eterna
sei que um dia  vou parar

REFRÃO
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levo a vida  com paciência
tocando  com muita fé
quem  fala tudo oque pensa
acaba escutando oque não quer
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